Sábado, 3 de Abril de 2010

#16

como a vida pode ser tão injusta. como tu podes ser tão injusto. olhas-me discretamente, sem dar nas vistas, silenciosamente. não me falas, e acredita, isso parte-me o coração. nunca pensei que fosse tão difícil pra ti admiti-lo, mas parece que é. eu amo-te (como tu me amas a mim, eu sei) mas tu não me dizes nada de concreto. passamos dias e dias sem falar, sem nos olhar - eu olho para ti, mas tu nem sequer nisso reparas.

isso esta-me a deixar triste, parece que nunca vamos ter nada sério. é pena, estou mesmo caidinha por ti.

- estava perdida nos meus pensamentos enquanto estava sentada num banco do centro comercial, à espera das minhas amigas pra irmos dar uma volta. de repente, naquele teu jeito de ser, apareceste. como por magia, como por (meu) desejo - apareceste a caminhar na direcção das lojas de roupa, aquelas que tu tanto adoras. estavas como sempre - tu nunca mudas. estavas com os teus amigos (aqueles rudes e inbecis com quem tu andas), mas parecias feliz. estavas a sorrir, e isso fazia-me feliz também. ver que tu eras feliz, mesmo sem me fazeres realmente feliz.

o teu olhar pousou sobre mim. eu faleci naquele momento - acredita que sim. tu abrandas-te o passo e disseste para os teus amigos irem andando que tu já os apanhavas. eu faleci ainda mais. tudo parecia um sonho, que eu já tinha sonhado de certeza. caminhavas na minha direcção - finalmente, só na minha direcção! (...)

"olá. desculpa incomodar-te mas ainda bem que te encontro aqui." eu não consegui falar. exprimir uma palavra qualquer. nada. a minha boca parecia pedra, não se movia. tu continuaste: " bem, tenho que falar contigo. é muito sério." eu congelei. poderia estar para cair no meu mundo uma notícia muito boa ou uma noticia muito má. "fala lá..." consegui dizer. (...)

ele estava sentado a meu lado, sem pressa. parecia que estavamos ali há anos. falaste-me de irmos ao cinema juntos, porque precisavas de falar seriamente comigo. disseste para eu não me preocupar, que não era nada de grave. quando acabaste de dizer o que tinhas pra dizer, ficaste calado a olhar fixamente pra mim. eu... eu estava também a olhar para ti, para o magnifico ser que eu tinha à minha frente. e ali permanecemos durante 45 minutos. (...)

os teus amigos foram-te chamar quando já tinham visto tudo o que lhes interessava. nós nem demos pelo tempo passar... concluí que te amo! e estou cada vez mais ciente disso. olhaste pra mim e despediste-te com um aceno de cabeça. mas eu nunca mais te vi, nunca mais tive noticias tuas durante 1 semana. (...)

eu sabia que algo te tinha acontecido, eu sabia! é aquele sexto sentido da mulher, que funciona lindamente. tu estavas dado como desaparecido. eu sempre temi o pior, acredita. toda a gente me ligou a perguntar como eu estava, se me estava a aguentar... eu dizia que sim, que estava tudo bem comigo, para já. não dava muita conversa, não falava com ninguém. não queria fazer nada, naquele tempo em que não tive a certeza onde estavas. (...)

a noticia chegou na tarde de sábado. estava a chover, o sol ainda não tinha espreitado durante o dia. um dos teus amigos inbecis ligou-me, e disse-me :

« olá. eu sei que não deves querer ouvir o que tenho para te dizer, porque acredita, as noticias não são nada boas.» - eu permaneci calada, eu já sabia, eu tinha quase a certeza - «bem, ele foi encontrado no terreno do avô. parece que foi enterrado lá...» - não consegui conter as lágrimas, parecia uma bébé. ele continuou - «...eu vou continuar, espero que ainda estejas aí, eu não quero falar para as paredes. ele foi raptado pelo pai, que o levou para a casa do avô (o que morreu de AVC). depois, segundo a policia, o pai mandou-o escrever uma carta a despedir-se dos amigos, da família... tu sabes. mas a policia acredita que o pai deu-lhe liberdade para escrever o que ele quisesse, e acho que o pai lhe prometeu que as cartas seriam entregues a quem ele as escreveu....» - ele parou subitamente, como se me estivesse a esconder alguma coisa. respirou fundo e continuou - «depois disso, o pai dele pegou numa faca e ... tu sabes.» - ele começou a chorar. eu acompanheio. lele conseguiu retomar a história - «foram 17...17 facadas.» - eu começei a chorar ainda mais. acho que não ia aguentar. acho que queria morrer com ele. eu não ia aguentar, eu tinha a certeza. eu amava-o e eu... eu tinha de ir ter com ele! eu tinha ... eu não consigo viver sem ele. (...)

passados 5 minutos a chorar, eu disse ao amigo dele: «tu não me contaste tudo. conta-me TUDO, por favor!» ele disse para eu ir à caixa do correio, e eu assim confirmei o meu anterior pensamento - ele escreveu uma carta para mim.

deixei o telemóvel cair, apenas corri para a caixa do correio. abri-a e procurei pela sua carta. peguei nela e corri para dentro de casa... direitinha ao meu quarto. (...)

depois de 1 hora a olhar para a sua carta, decidi abri-la. e começei a ler...

« meu amor,

estou a escrever-te pelas piores razões. desculpa-me. desculpa-me, por favor! eu não tive coragem para o dizer mais cedo, eu não tive coragem...eu AMO-TE e sempre TE AMEI! desculpa não ter dito mais cedo, desculpa. só de pensar que tinhamos vivido um grande amor, só de pensar que neste momento eu já tinha beijado os teus lábios vezes sem conta, só de pensar que eu já tinha dito que te amava milhentas vezes... só de pensar no teu sorriso, dá-me vontade de ir ter contigo e de lutar contra este inferno. desculpa-me por este tempo desperdiçado, mas cada um tem que aprender com os seus erros - e acho que neste momento em que tu estás a ler esta carta, eu já aprendi com os meus - eu peço-te que me tentes esquecer, que te apixones por outro rapaz e que sejas feliz. não fiques presa a mim, isso não te vale de nada! eu sei que vai ser dificil esquecer-me, mas tenta (re)encontrar o amor. por mim, e principalmente por ti.

eu sei que te deves perguntar "será que ele sofreu?", meu amor eu sofrer, sofri. mas não foi pelas razões que tu estás a pensar. eu sofri POR TI. porque eu nunca tive coragem para dizer o quanto te amo... sou um fraco, deixa para lá. o que me interessa é que fiques bem, óptima! que vivas a vida como uma adolescente normal e que, principalmente, sejas FELIZ. não morras por mim meu amor, luta por ficar bem. acredita, eu vou vigiar-te de cá de cima, assistir a cada passo teu.

tenho que acabar, só quero que saibas que eu TE AMO e que quero que sejas FELIZ. não tires muito do teu tempo a pensar em mim, não é que eu me importe que penses em mim, mas é para o teu bem.

AMO-TE, »

 

fechei a carta, coloquei-a no envelope e guardei-a. guardei-a na minha memória.

 

- não se preocupem, é (outra vez) ficção! :)

sinto-me: bem, (:
publicado por márciarodrigues às 19:11
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1 comentário:
De ritab a 3 de Abril de 2010 às 22:20
Escreves lindamente bem. beijinhos ü

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